CAPITULO XXXIII

VICIOS DE LINGUAGEM

Vicios de linguagem são a consequencia dessa  burrice consuetudinaria, em que respiram os falladores de uma lingua indefesa,

Os vicios de linguagem mais frequentes são tres: solecismo, barbarismo, cacophonia.

Solecismo - é um vicio muito feio. Consultar a respeito o Dr. Laudelino Freire. (*)

(*) SUSPIROS - 9 claras para meio kilo de assucar, que deve ser secco no forno", Batem-se as claras em neve, juntam-se com o assucar na batedeira, até ficar bem consistente. Pingam em taboleiros untados com manteiga e pulverisados com farinha de trigo. Forno brando.

Barbarimo - é a introducção de vocábulos extrangeiros no discurso. Esse vicio, plenamente, justificado pelos livre-cambistas, encontra inimigos irreconciliaveis entre os proteccionistas.

Cacophonia, comprehendendo cacophaton, echo, hiato e collisão, - é o som desagradavel ou deselegante que resulta de um determinado agrupamento de palavras.      

.O cacophaton mais frequente e irritante é sem duvida o trocadilho.

Echo - é um vicio de linguagem muito commum nas casas vasias.

Collisão - é um vicio que se verifica frequentemente nos trens da Central; é quasi sempre mortífero.

Hiato -  é a abertura desmesurada da bocca, muito commum entre os basbaques da Avenida, e entre os tenores de cinema.

Ha ainda um vicio de linguagem a que se não referem os autores e que é, entretanto, assás condemnavel: a maledicencia -  recurso habitual dos criticos literarios, quando são estes criaturas estereis, capazes de julgar a obra alheia sem todavia ter jámais produzido cousa alguma.

CAPITULO XXXIV

COLLOCAÇAO DO PRONOME

E' menos difficil collocar-se um sujeito no Ministerio da Fazenda do que. um pronome no seu competente logar. Os pronomes passam muito mal, quando manejados por escriptores de meia tigela ou mesmo de tigela inteira.

O pronome, em portuguez, é como o gramado dos jardins - só os ilheus fêlpudos é que os sabem plantar no sitio devido.

Os poveiros tambem não collocam peior o pronome; o mesmo Camillo, quando queria dar um apuro á língua, nesse terreno, ia á Povoa. do Varzim, e lá deixava-se estar entre os poveiros. Voltava afiadinho no pronome.

Não se conseguiu ainda estabelecer-se regra fixa para a collocação do pronome. Quem quizer fazel-o regularmente, é deter-se na leitura dos classicos ou imitar o Camillo; não indo á Povoa, que fica muito longe; mas indo simplesmente á ponta do Calabouço, alli pelos fundos do Ministerio da Agricultura. Esse Ministerio, (*) na frente, cultiva batatas; mas no quintal tem uns poveiros, pescadores, que collocam lindamente o raio do pronome. Lendo os classicos, eis o que se póde arranjar:

O relativo que repelle o pronome, pospondo-o sempre ao verbo.

.Ex. : "Os aventureiro QUE TINHAM-SE animado... (José de Alencar)

(*) Para impedir ,que o queijo tome mofo, embrulha-se num panno que se molha em vinagre e que se espreme quanto possivel.

Guarda-se em logar fresco.

."A rainha QUE SOME-SE na obscuridade do lar domestico..." (Ruy Barbosa)

"Esse amor QUE noutros Estados DA-LHE - ares de indistructivel..." (Idem)

Sem achar de QUE ADMIRAR-SE.   (Pe. Manoel Bernardes)

Que, na funcção de conjuncção integrante repelle tambem o pronome, pospondo-o ao verbo.

" Ex.: "Lembra-me, sim QUE eu INCLINEI-ME..." (Machado de Assis)

"O certo é QUE o trono entre nós ACHA-SE ainda longe d'aquella estabilidade..."

(Ruy Barbosa)

"Fez-se na cabana tão grande silencio QUE OUVIA-SE pulsar o sangue..."

(José de Alenear)

O adverbio não repelle egualmente o prono­me, pospondo-o ao verbo.

Ex: "NÃO DOU-TE as rosas da face

Nem as que tenho na mão..."       (Affonso Celso)

Na observação directa: da linguagem, colhem-se as seguintes observações:

­O.pronome precede sempre o verbo, (*) quan do se trata de nomes proprios. Assim ninguem diz, por exemplo, o Dr. Queixa-se, ou o Dr. Abra-se; e sim: o Dr. Sequeira, o Dr. Seabra;                                                                       I

Tambem deve sempre preceder o verbo o pronome que fórma adjectivo.s numeraes. Não  é correcto dizer-se: senta-se e quatro ou tenta-se e oito; e sim: sessenta e quatro, setenta e oito.                                                                                                         I

       Em via de regra, em certos utensilios e objectos de uso domestico ou agrario, o prono­me é sempre posposto ao verbo. Não é correcto dizer-se:

um SE CALE de licor

ou

a SE FOI do lavrador

e sim

um CALICE de licor

a FOICE do lavrador

Por uma confusão da orthographia phoneti­ca, escreve -se com c em vez de s, nesses casos, o pobre do pronome.

De uma feita houve quem apresentasse no Supremo Tribunal um pedido de habeas-corpus para a livre e arbitraria collocação do pronome. Os ministros, em sua quasi totalidade, abstiveram-se de votar, por interessados na causa.

Gramática e  Filologia

(*) Máriton Silva Lima

Um conhecido do Tribunal de Justiça do Rio mostrou-me sua monografia sobre
problemas oblíquos e me disse que seus colegas
de Faculdade o chamam de filólogo. Perguntei-lhe se conhecia francês e italiano.
Diante da sua negativa, expliquei-lhe que
não se pode confundir filólogo com gramático. Gramático é o que conhece,
acompanha e expõe os fatos de um idioma; filólogo
é o que conhece a língua com relação a outras línguas afins ou correlatas.
Conhecendo vários idiomas, o filólogo julga,
conclui, conhece os idiotismos, os fatos particulares de línguas diversas, a
formação e a derivação dos vocábulos.
Exemplos de filologia são as frases “fale a verdade” e “não diga mentira”. Lá o
artigo, aqui não. O inglês diz: “to tell
the truth”. Em francês existe “s’il faut dire la vérité”. A razão é porque
mentira é indeterminado (“isto pode ser
mentira”), ao passo que verdade é empregado determinadamente. Em “isto é
verdade”, a palavra verdade está por verdadeiro;
tanto assim é que em francês (onde verdade é vérité) e em inglês (onde verdade é
truth) essa indeterminação obriga-nos a
diferentes palavras: C’est vrai – This is true. Isto é filologia e não apenas
gramática de um trabalho escolar.
A monografia de meu amigo lembra-me o sofisma de Renato Descartes (1596-1650)
que, num círculo vicioso, provava a
existência de Deus pela idéia clara que tinha disto e fundamentava o valor da
idéia clara sobre a existência de Deus. É
como provar que João é filho de Paulo, afirmando que Paulo é pai de João.
Quando o intelecto passa de uma verdade para outra existe o raciocínio. Assim,
‘todo homem é mortal’, ora, ‘Pedro é homem’
(antecedentes ou premissas), logo, ‘Pedro é mortal’ (conseqüente ou conclusão).
Mas se o raciocínio, sob as aparências de
retidão, ocultar um defeito em virtude do qual a conclusão é errônea, estaremos
diante de um sofisma.
Exemplos de sofismas de forma: ‘Toda manga é comestível’, ora, ‘uma parte da
veste é manga’, logo, ‘uma parte da veste é
comestível’ (equívoco). ‘Quem faz castelos em determinada área deve pagar os
impostos respectivos’, ora, ‘João faz castelos
no ar’, logo, ‘João deve pagar os impostos respectivos’ (metáfora).
Exemplos de sofismas de matéria: ‘Tudo que exerce má influência é essencialmente
mau’, ora, ‘o estudo social (a sociedade)
exerce má influência’, logo, ‘a sociedade é essencialmente má’ (o acidental é
considerado essencial, célebre sofisma de
Jean Jacques Rousseau – 1712-1778). ‘Este ladrão é um bom soldado’, ora, ‘todo
bom soldado deve ser premiado’, logo, ‘este
bom ladrão deve ser premiado’ (ignorância da questão).
Nos tempos mais remotos denominaram-se sofistas todos os que se entregavam ao
estudo das ciências e das artes. Assim chama
Aristóteles os sete sábios da Grécia. No século V restringiu-se o significado do
termo aos pedagogos e professores
ambulantes de retórica que ensinavam mediante remuneração pecuniária. Pouco a
pouco, pela tendência rabulista destes
mestres de eloqüência, o termo foi tomando o significado pejorativo que
conservou até hoje.
Sócrates combateu toda a sua vida contra estes pseudofilósofos; Platão
impugna-os ainda nos seus primeiros diálogos;
Aristóteles fala dos sofistas como de adversários históricos, como de um perigo
esconjurado.
Parmênides afirmava a imutabilidade do ser. Heráclito opõe-lhe a mutabilidade de
todas as coisas. Concluir daí que tudo é
ilusão e que a ciência é impossível era um passo fácil.
Para Protágoras, o homem é medida de todas as coisas. Górgias afirmava: “Nada
existe; se alguma coisa existisse não a
poderíamos conhecer; se a conhecêssemos não a poderíamos manifestar aos outros.”
Para Hípias, a lei é o tirano dos homens,
a causa de suas discórdias.
Polus, Trasímaco e Cálicles preconizavam: “Justo é o que é útil ao mais forte.”
O aparecimento dos sofistas foi de grande utilidade para o progresso da
filosofia. Abusando da dialética, revelaram-lhe o
valor e a importância de se lhe estudarem as regras e leis fundamentais.
Estou pensando que o meu amigo do Tribunal de Justiça do Rio estava sofismando,
porque o seu trabalho escolar não era
realmente exemplo de filologia.
O gramático e o filólogo podem unir-se O gramático apresentando ao filólogo os
fatos da sua língua, para que o filólogo os
analise em relação aos fatos existentes em outros idiomas.

Classes de palavras

Em português, segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) ,
as palavras se distribuem por dez classes: substantivo, artigo, adjetivo,
numeral,
pronome, verbo (classes flexionáveis), advérbio, preposição, conjunção e
inter­jeição (classes não flexionáveis).
As palavras que não se enquadram em nenhuma dessas classes formam um conjunto
especial, que veremos logo adiante.
Observação
As interjeições sao, na verdade, frases implícitas, e não palavras invariáveis.
Comprova-o o fato de a interjeição não
exercer nenhuma função na oração.
Palavras e locuções denotativas
Existem palavras e locuções que não se enquadram em nenhuma das classes de
palavras, já que não exprimem na verdade uma
função sintática na oração, por terem essencialmente natureza afetiva,
subjetiva: são as palavras e locuções denotativas.
As mais encontradas são as que indicam:
Adição
Além disso, senhores, não desejamos favores seus.
Chorou e ainda por cima gritou, esperneou, fez o diabo!
A senhora não trabalha e ainda reclama?!
Demais, somos um país pobre. Não podemos esbanjar.
Ademais, sempre lutei por essa causa.
Ela é, além de tudo, burra!
Era feia e baixinha e, quando acaba, burra!
Ficamos, além de tudo, horrorizados!
Adversidade
Mesmo chovendo muito, viajamos.
Fui trabalhar, ainda com muita febre
O nadador teve cãibras, mas assim mesmo ganhou a prova.
Afastamento
Vou embora daqui.
Muitos brasileiros estão preferindo ir embora.
Af'irmação
A vida - é fato - começa aos quarenta!
Sim, devo, não nego, pago quando posso.
Com certeza você já sabe das minhas intenções.
Você está evidentemente blefando.
De fato, tudo não passou de um grande susto.
Lutou muito - é certo -, mas nada conseguiu.
Minha filha - é verdade - é um gênio!
A natureza está mesmo doente.
O presidente era, positivamente, um esportista.
O homem é, sem dúvida, um depredador. Indubitavelmente, um predador.
- Luís, você poderia emprestar-me seu automóvel?
- Pois não!
- Você vai me pagar hoje?
- Perfeitamente!
Aproximação
Esse rapaz já é quase doutor.
O comércio praticamente não funcionou ontem.
Estaremos de volta lá pelas onze horas.
A mulher devia de ter uns duzentos anos!
Faz bem dois anos que não vejo Ifigênia.
Daqui a Salvador há mais ou menos dois mil quilômetros.
Voltaremos a nos reunir aproximadamente às dez horas.
Gastamos cerca de mil reais na festa.
Diz-se que Luís de Camões morreu por volta de 1640.
Coincidência
Logo eu fui ser o escolhido!
Bem você acabou sendo a vítima!
Justamente agora, que vou dormir, chegam visitas!
E, por cúmulo, naquele dia eu não podia desabafar com ela.
O pai dela chega justamente na hora do beijo!
Conclusão
Todos queremos acabar de vez com a inflação; enfim, vivermos melhor.
Ela queria casar o mais urgentemente possível; em suma, para sair de casa.
Continuação
Bem, você quer que eu lhe responda a sua pergunta. Ora, eu não posso dar
respos­ta à sua pergunta!
Ora, o acusado se diz o pai da criança; em sendo o pai da criança, esta é sua
filha.
Distribuição
Cada paixão no coração é, a princípio, como um mendigo; em seguida como um
hóspede e, finalmente, como o dono da casa.
Não deveis abrir a porta de vossos corações ao primeiro pedinte.
Refletindo bem, pode se beber vinho por cinco motivos: primeiro, para se
festejar algo; segundo, para calmar a sede;
depois, para se evitar de ter sede após; em seguida, para se fazer honra ao bom
vinho e, finalmente, por todos os motivos.
Exclusão
Ela olhou só para mim, apenas para mim, tão-somente para mim.
A mulher vivia unicamente para o marido.
O governo brasileiro não nos ajuda sequer um minuto.
Não bebo nada senão leite.
Estudem até a página cinqüenta do livro, exclusive.
Explicação
Admiro apenas duas coisas no mundo: a força física e a inteligência, isto é, as
duas
únicas formas de energia.
Toda palavra proparoxítona é acentuada. Por exemplo: álibi.
Compramos vários objetos, a saber: lápis, canetas, cadernos, etc.
A Igreja brasileira é socialista, quer dizer, progressista.
Temos muitos brasileiros competentes para o governo. Como o ex-ministro
Cristovão Buarque.
Freqüência
Você, sempre você!!!
Ela vivia me atenazando, dizendo que eu tinha outra mulher. Dizia isso de manhã,
de
tarde, de noite. Toda a hora!
Inclusão
Você também contra mim, Cristina?!
Até você, Brutus?!
Vi com profundo dissabor, com irritação mesmo, essa decisão.
Qualquer pessoa, mesmo o mais ignorante, entende isso!
Os torcedores, revoltados, chegaram mesmo a ameaçar os dirigentes.
Um pai - ainda o mais pobre - tem sempre uma riqueza para deixar ao filho'.
o exemplo. '.
Todos se revelaram incompetentes no governo anterior, inclusive o presidente.
Negação
Você acha que ela é bom partido? Qual nada, rapaz!
Se ela voltou pra mim? Nada!
Que esperança! Ela não volta nunca mais!
Você pensa que ela me procurou? Qual o quê!
Ela não me telefonou nem eu tampouco a ela.
Absolutamente, hoje você vai ficar em casa.
Você quer saber se vou voltar a Ilhéus? Não vou, não,
- Luís, você poderia emprestar seu automóvel?
- Pois sim!
Precisão
Cheguei às oito horas em ponto.
O comércio fecha às dezoito horas exatamente,
Pagou aos funcionários precisamente no dia 10.
Ela me beijou mesmo aqui, na boca.
Realce
Elisa é quem manda em casa.
Eu é que sei onde andam as crianças?!
Este país lá tem jeito?
Estou curioso mas é de vê-Ia novamente.
Nossa língua tem lá suas dificuldades.
As crianças devem ter ficado com a avó, sei lá.
Que dias maravilhosos não passei em Salvador!
Quanta traição não há num beijo!
Estou espantado mas é de ver tanta burrice!
Quanto não vale uma jóia dessas?
Vou-me embora sozinho.
O que não iriam dizer de mim, se eu andasse com ela?
Eu não disse que ia chover?
Quase que eu caio ali.
Que loucura que foi nossa viagem!
Quando todos pensam da mesma maneira, é porque nenhum pensa grande coisa.
Logicamente que eu não iria com ela.
Veja só que ironia!
Bem que ela poderia casar comigo!
Você bem poderia me tirar daquela enrascada!
Vão-se os anéis; fiquem-se os dedos.
Foi-se embora cedo.
Restrição
Concordo com você, em parte.
Sua tese é relativamente bem-arquitetada.
Vou apoiá-Io em termos.
Retificação
Foram assaltados por um mascarado, aliás, por dois.
Hersílio não está em casa, isto é, mudou-se daqui.
Filipe disse que já foi a Júpiter; não, a Plutão!
Vou viajar por estes dias, ou melhor, sábado.
Você é simpática, Ifigênia. Perdão, também bonita.
Precisamos pagar essa dívida, ou antes, rolar essa dívida, porque pagá-Ia é
quase impossível.
Seleção
Gosto do Brasil, principalmente da Bahia.
Gosto dos brasileiros, mormente das baianas.
As brasileiras são lindas, sobretudo as cariocas.
Situação
Mas quem é essa pessoa que insiste em falar comigo?
Então, falando mal de mim, hem, rapazes!
Falsa modéstia... Mas se a modéstia é sempre falsa!
Se, afinal, me escolherem, eu aceito a candidatura.
Ao encontrar qualquer dessas palavras ou locuções numa oração, basta
clas­sificá-la como
palavra (ou locução) denotativa de inclusão, de aproximação, etc
Obra consultada: NOSSA GRAMÁTICA – Teoria e Prática
Luiz Antonio Sacconi – Atual Editora

VÍCIOS DE LINGUAGEM

Vícios de linguagem
São desvios das normas gramaticais.
Os principais vícios de linguagem são: barbarismo, solecismo, cacofonia,
ambigüidade (ou anfibologia), preciosismo (ou
perífrase), arcaísmo, plebeísmo e redundância (ou tautologia).
Barbarismo
É qualquer desvio que se comete relativo à palavra. Sendo assim, pode ser:
a) ortoépico (provocando as cacoépias): fóme, hómem, compania, cadalço, fleira,
arto, gor, Cleusa, etc.;
b) prosódico (provocando as silabadas): récorde, íbero, rúbrica,júniors,
sêniors, ariete, boemia, Niagara, etc.;
c) gráfico e/ou flexional (provocando as cacografias): a janta, maizena, eu
intervi, fiquei pasmo, um bacanal, os cidadões,
fazer questã, etc.;
d) semântico (provocando os deslizes): cozinhar mal e porcamente, sair ao pai
cuspido e escarrado, a mala está leviana, dar
uma mão de tinta na porta, curar minha pigarra, não comer peixe que tem espinho,
vultuosa quantia, ovos estalados, preço
barato, preço caro, raspar as axilas, fazer algo com maestria.
Observação
Comete barbarismo, ainda, quem usa estrangeirismo desnecessariamente. Eis alguns
estrangeirismos com as respectivas formas
portuguesas ou aportuguesadas entre parênteses, quando for o caso:
a) galicismos ou francesismos: garçon (garçom), menu (cardápio), garage
(garagem), baIlet (balé), aterrisar (aterrar),
através a luz (através da luz), face a (em face de),  revanche (desforra),
bijouterie (bijuteria), boite (boate), boutique
(butique), cham­I pagne (champanha), carnet (carnê), placard (placar).
E mais: abajur, bibelô, blague, brevê, cabina, camelô, carroceria, carrossel,
cassetete, clichê, comitê, coqueluche,
creche, elite, envelope, flanar, furgão, gafe, guichê, limusine, maiô, maionese,
restaurante, sabonete, silhueta, vitral,
vitrina e milhares de outros.
b) anglicismos: show (espetáculo), cocktail (coquetel), corner (escanteio, tiro
de canto),  hall (saguão, átrio), cow-boy
(faroeste), flirt (galanteio), know-how (experiência, con­hecimento),
voIley-baIl (volibol).
E mais: atol, bar, basquete, bebê, bife, clube, dólar, drinque, eslaide, eslôgã,
esnobe, estande, estêncil, estresse,
filme, futebol, grogue, iate, lanche, pudim, recorde, repórter, sanduíche,
teste, uísque e centenas de outros.
c) germanismos: bala, baluarte, cobalto, estoque, feudo, manequim, manganês,
mofo, obus, pistola, truque, valsa, zinco.
d) italianismos: bambino (menino), caricato (cômico, ridículo), cascata
(cachoeira), cicerone (guia, intérprete), fiasco
(decepção, malogro), repetir de ano (repetir o ano), justo agora (justamente
agora), entrar de sócio (entrar como sócio),
jogar de goleiro (jogar como goleiro). E mais: ária, bancarrota, bandido,
banquete, cantina, confete, fi­ligrana, granito,
loteria, macarrão, ópera, partitura, piano, retrato, soneto, soprano, tenor,
violino e dezenas de outros.
e) latinismos: habitat (hábita), deficit (défice), superavit (superávite),
memoran­dum (memorando), curriculum (currículo),
nihil (nada).
E mais: álibi, fórum, Helvetia, ipsis litteris, ipsis verbis, quórum, status e
dezenas de outros.
f) espanholismos: aficionado (afeiçoado), escombros (ruínas, destroços),
fanfarrão  (gabarola), gabardine (gabardina).
E mais: ampulheta, bobo, castanhola, caudilho, estri­bilho, galhofa, guitarra,
hediondo, lhano, mantilha, neblina, ojeriza,
paradeiro, pimpolho, pundonor, realejo, tejadilho e dezenas de outros.
À falta, em nossa língua, de palavra correspondente ao estrangeirismo, devemos
aportugue­sar a grafia da palavra
estrangeira. É o que se fez com garçom, balé, coquetel, volibol,  hábita, etc.
Solecismo
É qualquer desvio que se comete contra a sintaxe. Sendo assim, pode ser:
a) de concordância: haviam muitas pessoas na fila, a turma gostaram da festa,
quem fez isso foi eu, etc.;
b) de regência: obedeça o chefe, assisti um filme, não lhe conheço, ter ódio do
mundo, etc.;
c) de colocação: tinha ausentado-me, verei-te amanhã, etc.
Cacofonia
É qualquer seqüência silábica intervocabular que provoque som desagradá­vel.
Ex.: ela tinha, nosso hino, por cada limão, uma mala, boca dela, etc.
     A cacofonia compreende:
a) o cacófato (é o som obsceno). Ex.: Hilca ganhou; ele marca gol; mande-me já
isso; escapei de uma boa hoje.
b) o eco (é a repetição desagradável de terminações iguais). Ex.: Vicente já não
sente dores de dente tão freqüentemente
como antigamente, quando estava no Oriente, na casa de um parente doente.
O eco na prosa é um defeito, mas na poesia é o fundamento da rima. Ainda na
prosa, quando usado com parcimônia, torna-se
uma virtude. Veja-se o caso dos provérbios, em que se procura até forcejá-lo:
Muito riso, pouco siso; Ladrão que rouba a a
ladrão tem cem anos de perdão. Nesse caso o eco recebe o nome especial de
homeoteleuto.
c) o parequema (é a aproximação de sons consonantais idênticos ou seme­lhantes).
Ex.: cone negro, vaca cara, pouco caso,
vista terrível, uma mala, etc.
Recebe o nome de colisão se os sons aproximados forem sibilantes (sê-sê). Ex.:
Levante-se cedo, porque o lance será
importante!
d) o hiato (é a aproximação de vogais idênticas, geralmente a). Ex.: traga a
água, há aula aos sábados.
Muitas vezes não é possível fugir a certas cacofonias. Por isso, a ânsia de
encontrá-las caracteriza pecado maior que elas
próprias.
Ambigüidade ou anfibologia
     É o duplo sentido causado por má construção da frase. Ex.:
     Beatriz comeu um doce e sua irmã também. (Por: Beatriz comeu um doce, e sua
     irmã também.)
     Mataram a vaca da sua tia. (Por: Mataram a vaca que era da sua tia.)
     Preciso de uma empregada para ordenhar vacas e um empregado forte. (Por:
Preciso
de uma empregada para ordenhar vacas e de um empregado forte.)
Preciosismo ou perífrase
É o exagero na linguagem, em prejuízo da naturalidade e da clareza.
Ex.:
O equóreo elemento erguia bem alto as altas ondas. (Por: O mar estava agitado.)
Na pretérita centúria, meu progenitor presenciou o acasalamento do astro-rei com
a
rainha da noite. (Por: No século passado, meu avô presenciou o eclipse solar.)
Baixar a inflação? Isso é colóquio flácido para acalentar bovino. (Por: Isso é
conver­sa mole para boi dormir.)
Constitui preciosismo, ainda, a articulação afetada dos erres e esses finais:
cantarr, verr, mentirr, maiss, vocêss,
portuguêss, vezz, etc.
Arcaísmo
É o emprego de palavras, expressões ou construções desusadas, antigas, que já
não pertencem ao idioma em seu estádio atual.
Ex.: hum, pantano, senhôra, tinha abrido, vosmecê, etc.
Opõe-se ao neologismo, que não é propriamente vício de linguagem, já que
descobrimentos tecnológicos, novas modalidades de
esporte, novas realidades nas ciências de todos os tipos, provocam o
aparecimento cada vez mais de novos vocábulos. Ex.:
carro hidramático, surfar, windsurfar, interfonar, bipar, auditar, estagflação,
carreata, tablitar, etc.
 Fonte consultada: NOSSA GRAMÁTICA – Teoria e Prática
Luiz Antonio Sacconi – Atual Editora

19/05/2005 16h11

Os prefeitos que não encontraram em ordem as contas ou a documentação do município para poder prestar contas dos recursos repassados no ano passado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) devem procurar a Justiça. Dessa maneira, evitarão prejudicar a população, já que a omissão na prestação de contas ou a prática de irregularidades impede o governo federal de repassar recursos.

No caso dos repasses diretos, como os do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o município deve encaminhar ao FNDE uma justificativa, assinada pelo atual prefeito; cópia autenticada da petição inicial da ação civil pública movida pelo município contra o ex-gestor, com pedido expresso de ressarcimento dos recursos ao erário; certidão de objeto e pé (explicativa) do cartório em que foi distribuída a referida ação e cópia autenticada da representação criminal contra o ex-prefeito junto ao Ministério Público, explicitando a não-prestação de contas.

A certidão de objeto e pé deve ser atualizada e encaminhada ao FNDE a cada seis meses, como forma de comprovar que o processo continua em andamento na Justiça.

No caso de convênios, o município deve propor ação civil pública, com pedido expresso de ressarcimento dos recursos, contra o ex-prefeito responsável pelas irregularidades ou pela omissão na prestação de contas. Em seguida, terá de enviar ao FNDE justificativa, assinada pelo atual prefeito, acompanhada de cópia autenticada da petição inicial da ação e da certidão de objeto e pé do cartório em que a ação foi distribuída.

Como no caso dos repasses diretos, a prefeitura deve apresentar, semestralmente, a certidão de objeto e pé.

De posse desses documentos, o FNDE providenciará a instauração da tomada de contas especial, tendo como responsável o ex-prefeito. Com isso, estará regularizada a situação do município, que poderá voltar a receber os recursos.

O FNDE recomenda que a ação civil seja pública para que o Ministério Público seja parte nela. Assim, mesmo em caso de desistência por parte do município, a ação prosseguirá, com o Ministério Público representando a população, principal prejudicada pela improbidade administrativa.

Ressarcimento — A lei exige que a ação efetive o ressarcimento aos cofres públicos dos valores repassados ou conveniados que não tiveram prestação de contas. O nome atribuído à ação civil pode ser outro, mas do pedido deve constar, obrigatoriamente, a pena de devolução do dinheiro público, com os juros e as correções legais.

O FNDE esclarece, ainda, que o gestor deve especificar ao Ministério Público de qual crime está dando notícia — improbidade administrativa, quando o ex-gestor deixou de prestar contas dos recursos repassados pelo Pnae, por exemplo. Quanto à comprovação, o município deve encaminhar cópia da representação criminal protocolada pelo Ministério Público, com autenticação. Uma única ação e uma única representação podem ser propostas, especificando cada programa ou convênio e o ano em referência. (Assessoria de Imprensa do FNDE)


COOPEREMOS PARA A BOA LINGUAGEM

eis que

Não se usa com propriedade esta locução em substitui­ção a porque, pois ou porquanto. Assim, por exemplo: Deve chover logo, "eis que" nuvens plúmbeas se acumulam no horizon­te. Eis que se usa com propriedade, quando a situação é de imprevisto, equivalendo a de repente, exprimindo surpresa: Quando menos esperávamos, eis que desaba uma tempestade!

 

eis senão quando

Expressão que equivale a inesperadamente, subita­mente: O ambiente era de festa; eis senão quando a alegria se transforma em incontrolável revolta. A conversa estava animada; eis senão quando recebo um telefonema misterioso, que nos dei­xou a todos preocupados.

 

eixo

     Adjetivo correspondente: axial Portanto, ruptura do eixo = ruptura Axial

 

elefante

Feminino: elefanta. A suposta forma feminina "elefoa" sur­giu de um lapso tipográfico numa gramática antiga; aliá também não serve. O curioso é que alguns ainda dizem "eliá".

 

elegantérrimo

    Evite usar esta extravagância, própria de pessoas pe­dantes ou não completamente escolarizadas.

 

eleger

Rege como, para ou por, no predicativo do objeto: Elege­ram aquele rapaz como (ou para, ou por) presidente: deu no que deu. Elegeram-no como (ou para, ou por) deputado. Ainda é possível a construção sem a preposição: Elegeram aquele ra­paz presidente. Elegeram-no deputado. Este verbo tem dois particípios: elegido (regular) e eleito (irregular), que se usam indiferentemente, quando o auxiliar é ter ou haver. O povo tem elegido ou tem eleito candidatos? Na voz passiva, só se usa eleito: Ele foi eleito com grande votação.

 

Estrutura sintática da frase

Frase, período, oração



Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para esta­belecer comunicação. Pode expressar um juízo, indicar uma ação, estado ou fenômeno, transmitir um apelo, uma ordem ou exteriorizar emoções. Seu arcabouço lingüístico encerra normal­mente um mínimo de dois termos - o sujeito e o predicado -, normalmente, mas não obrigatoriamente, pois, em português pelo menos, há, como se sabe orações ou frases sem sujeito: Há muito tempo que não chove (em que há e chove não têm sujeito).

Segundo JEAN COHEN (Structure du Langage Poétlque, Paris, Flammarion, 1966), a frase pode ser definida em dois níveis: o semântico e o fônico. ° nível semântico, único que nos interessa aqui, desdobra-se em dois planos: o psicológico e o gramatical. No primeiro, a frase é "a unidade que apresenta um sentido completo", Quanto ao segundo, o gramatical, ela é "o conjunto de palavras que estilo sinta­ticamente solidárias", A seguir, cita o Autor a definição de A. Martlnet: "um enunciado cujos elementos se prendem a um ou a vários predicados coordenados." (p. 73).



Oração, às vezes, é sinônimo de frase ou de período (simples) quando encerra um pensamento completo e vem limitada por ponto final, ponto de interrogação, de exclamação e, em certos casos, por reticências. O período que contém mais de uma oração é composto.

Um vulto cresce na escuridão. Clarissa se encolhe. É Vasco.

(E. VERÍSSIMO, Música ao Longe, p. 118)

Nesse trecho há três orações correspondentes a três períodos simples ou a três frases. Cada uma delas encerra um enunciado expresso num arcabouço lingüístico em que entra um sujeito (vulto, claro na primeira, mas oculto na última, e Clarissa) e um predicado (cresce, se encolhe, é Vasco).

Mas nem sempre oração é frase. Em "convém que te apres­ses" há duas orações mas uma só frase, pois somente o conjunto das duas é que traduz um pensamento completo; isoladas, constituem simples fragmentos de frase, pois uma é parte da outra: "que te apresses" é o sujeito de "convém".

Quanto à sua estrutura sintática, i. e., quanto à caracterís­tica da integridade gramatical explícita (existência de um sujeito e um predicado), a frase pode ser simples (uma só oração inde­pendente) ou complexa (várias unidades oracionais). Esse agru­pamento de orações é que merece legitimamente o nome de período (do grego periodos, circuito). É o ambitus verborum, segundo CÍCERO, isto é, o circuito de palavras encadeadas para formar um sentido completo. Entretanto, pela nomenclatura gramatical (brasileira ou não) vigente e tradicional, também a frase simples se diz período simples, e a complexa, período com­posto. Mas alguns professores distinguem o período composto, constituído só por orações coordenadas, do período complexo, formado por orações coordenadas e subordinadas.



Frases de situação

Do ponto de vista da integridade gramatical, a frase é, por­tanto, uma unidade do discurso em que entram sujeito e pre­dicado. Mas nem sempre é assim. Já vimos, de passagem, que há orações ou frases sem sujeito. Existem também as que não têm ou parecem não ter nem um nem outro desses termos.

Às vezes, no contexto da língua escrita - i.e., no "ambiente lingüístico onde se acha a frase" - ou na situação da língua falada - i.e., no "ambiente físico e social onde é enunciada" -, um desses termos ou ambos estão subentendidos. Uma adver­tência ou aviso (Fogo! Perigo de vida, Contramão), um anúncio (Leilão de obra de arte, Apartamentos à venda), uma ordem (Silêncio!), um juízo (Ladrão, i. e., Você é um ladrão), um apelo (Socorro!, Uma esmolinha pelo amor de Deus!), a indicação de um fenômeno (Chuva!, i. e., Está chovendo), um simples advér­bio ou locução adverbial (Sim, Não, Sem dúvida, Com licença), uma exclamação (Que bom!), uma interjeição (Psiu!) são ou podem ser considerados como frases, embora lhes falte a carac­terística material da integridade gramatical explícita. Só men­talmente integralizados, com o auxílio do contexto ou da situação, é que adquirem legítima feição de frase.

A esse tipo de frase chamam alguns autores "frase de situa­ção", (Conforme FRANCIS, W. Nelson. The Structure of American English. Nova Iorque, The Ronald Press Co., 1958, p. 374) e outros, "frases inarticuladas"( Conforme MAROUZEAU, J. Précis de Stylistique Française. Paris, Masson et Cie., Edlteurs,1946, p. 146. Conforme ainda SAID ALI. Meios de Expressão e Alterações Semânticas, Rio, Org. Slmões, 1951, pp. 48 e 68.), entre as quais se po­dem ainda incluir, além das acima indicadas, as saudações (Bom dia!), as despedidas (Até logo), as chamadas ou interpelações, isto é, vocativos desacompanhados (Joaquim!) e frag­mentos de perguntas ou respostas. No discurso direto (diálogo), se alguém nos diz "ele chegou", é provável que peçamos um esclarecimento sob a forma de um fragmento de pergunta representado por um simples pronome interrogativo - Quem? - em que se subentende "Quem chegou?" - ou um advérbio interrogativo - Quando?, i.e., "Quando chegou?" São frases de situação ou de contexto, insubsistentes por si mesmas, se desta­cadas do ambiente lingüístico ou físico e social em que são enunciadas.

Frases nominais

Há outro tipo de frase que também prescinde de verbo, constituída que é apenas por nomes (substantivo, adjetivo, pronome): Cada louco com sua mania, Cada macaco no seu galho, Dia de muito, véspera de nada.

Nessas frases, chamadas nominais - e também, mas indevidamente, elípticas - na realidade não existe verbo, o qual, entretanto, pode ser "menta­do": cada louco (tem, revela, age de acordo com) sua mania, cada macaco (deve ficar) no seu galho, dia de muito (é, sempre foi) véspera de nada. A frase, em si mesma, não é elíptica; o máximo que se poderia dizer é que o verbo talvez o seja.

Característica de muitos provérbios e máximas, comum na língua falada, ocorre com freqüência na língua escrita, em prosa ou em verso. É uma frase geralmente curta, incisiva, direta, que tanto indica de maneira breve, sumária, as peripécias de uma ação quanto aponta os elementos essenciais de um quadro descritivo, quer em prosa (trecho grifado) quer em verso:

EXEMPLO EM PROSA:

Dá dois passos e abre de leve um postigo. A luz salta para dentro. – Não disse? Não há mistério.

E o quarto de Vasco se revela aos olhos dela [Clarissa].

- Não disse? Não há mistério.

A cama de ferro, a colcha branca, o travesseiro com fronha de amorim. O lavatório esmaltado, a bacia e o jarro. Uma mesa de pau, uma cadeira de pau, o tinteiro niquelado, papéis, uma caneta. Quadros nas paredes.

(E. VERÍSSIMO, op. cit., p. 220)



EM VERSO:

Sangue coalhado, congelado, frio

Espalmado nas veias...

Pesadelo sinistro de algum rio

De sinistras sereias.

(CRUZ E SOUSA, "Tédio", Faróis)



Sobre o capim orvalhado e cheiroso...

Maciez das boninas,

espinho de rosetas,

cricris sutis nesse mundo imenso,

tão pequenino. . .

(AUGUSTO MEYER, "Sombra Verde", Poesia)



... E as minhas unhas polidas –

­Idéia de olhos pintados...

Meus sentidos maquilados

A tintas desconhecidas...

...........................................

Fitas de cor, vozearia ­-

Os automóveis repletos:

Seus chauffeurs - os meus afetos

Com librés de fantasia!

(MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO, "Sete Canções de Declínio", Poesias)



 REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS
Pagar
Tdi (o objeto direto é sempre coisa, e o indireto é pessoa) :
"Ele pagou a dívida aos credores."
"Ele pagou o imposto."
Ele pagou ao governo."
Observação:
A voz passiva é aceitável: ''A dívida foi paga."
"Os credores foram pagos."
"O imposto foi pago."

Pedir
Tdi (alguma coisa a alguém):
"Ela pediu um presente ao pai."
"Eu pedi a todos que não faltassem."
Observações:
Devemos evitar o uso da preposição "para":
"Eu pedi a todos para que não faltassem."

A norma culta só admite pedir para quando há idéia subentendida de "licença" ou "permissão":
"O aluno pediu para sair da sala" (= pediu licença para sair).
"Eu pedi para falar" (= pedi permissão para falar).

Perdoar
Tdi (o objeto direto é sempre coisa, e o indireto é pessoa) :
"Ele perdoou as dívidas aos seus devedores."
"Eu perdoei os seus erros."
"Eu perdoei aos meus inimigos."

Observações:
A voz passiva é aceitável:
''As dívidas foram perdoadas."
"Os inimigos foram perdoados."

Alguns autores aceitam "pessoa” como objeto direto:
"Ele havia perdoado os inimigos."

Perguntar
Tdi - "Perguntei a idade ao garoto."
Observação:
É aceitável o uso da. preposição "por":
"Ele perguntou pelo garoto."
"perguntaram por ela a mim."

Precisar
Td = "ser preciso, indicar com exatidão, determinar”:
"Ele precisou a hora e o local do encontro."

Ti (precisar de) = "necessitar":
"Ele não precisava de dinheiro."
Observação:
A preposição de pode ser omitida quando o objeto é oracional:
"Preciso (de) que todos me ajudem."

Preferir
Tdi (alguma coisa a outra) :
"Prefiro cinema a teatro. "
"O carioca prefere ir à praia a trabalhar."
Observação:
É inaceitável o uso de "do que":
"Prefiro ir à praia do que trabalhar."

Proceder
Ti (proceder a) = "processar, realizar, concretizar":
"Mandou proceder ao recolhimento dos títulos"
"O juiz procederá ao julgamento."

Ti (proceder de) = "originar-se, derivar":
"Os produtos procedem da Alemanha."

I = "ter validade, ser verdadeiro, ser legítimo":
"Este argumento não procede."

Proibir
Tdi (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa) :
"Proibiu aos empregados que fumassem no local de trabalho"
ou "Proibiu os funcionários de fumar no local de trabalho" .

Puxar
Td - "O pai puxou a sua orelha."
Ti (puxar a) = "ter semelhança":
"O filho puxou ao pai."
Ti (puxar de) = "mancar":
''A criança puxava de uma perna."

Queixar-se
(... de alguma coisa a alguém):
"Queixava-se do chefe ao diretor."

Querer
Td = "desejar":
''A criança quer bolinhas de gude."
"Queremos todos os gerentes aqui."
Ti (querer a) = "amar, estimar, querer bem":
"Queremos bem aos nossos gerentes."
''A criança queria muito ao pai."

Reparar
Td = "consertar":
"Ele precisa reparar os erros cometidos."
Ti (reparar em) = observar :
"Todos repararam no vestido que ela usava."

Respeitar
Td - "Devemos respeitar as leis."

Responder
Td = "dar respostas grosseiras":
"Filho educado não responde os pais."
Td (objeto direto para exprimir a resposta):
"Ele não responderia isso."
"Ele respondeu qualquer coisa."
Ti (responder a) = "dar resposta”:
"Ele respondeu aos participantes do curso."
"Você deve responder ao questionário em trinta minutos."
Observação:
A voz passiva é aceitável:
"O questionário foi respondido rapidamente."

Servir
Td = "prestar serviço, oferecer":
"Ela ainda não serviu o almoço."
Ti (servir a) = "ser útil, convir":
"Esse contrato não serve à nossa empresa."
"Esse homem não serve a uma mulher como você."

Simpatizar
Ti (simpatizar com):
"Não simpatizei com eles.';

Usar

Td - "Não devemos usar essas máquinas."
Observação:
É aceitável o uso da preposição "de":
"Sempre usou (de) meios ilícitos."

Vencer
Td - "O Vasco acabou vencendo o Flamengo."

Ver
Td - "Ele viu o jogo."

Visar
Td = "assinar, rubricar, pôr o visto"
ou "apontar, mirar:”
"Já visei o cheque."
"O diretor já visou todos os documentos."
"O atleta visou o alvo e atirou."
Ti (visar a) = "almejar, desejar muito, aspirar a”:
"Muitos políticos visavam ao cargo."
"Suas idéias visavam ao bem-estar dos empregados."
Observações:
Muitos autores aceitam o verbo visar (= aspirar) como transitivo indireto ou transitivo direto:
"Muitos políticos visavam o cargo."

Seguido de infinitivo, podemos omitir a preposição:
"Muitos políticos visam (a) chegar ao poder."


Fonte:www.resenhas.com

  Regências de  Alguns Verbos

Uso das PREPOSIÇÓES - Casos especiais:
A nível ou em nível?
O certo é em nível.
"O problema só será resolvido em nível federal."
"Tudo deve ser resolvido em alto nível"
Observação:
A expressão" a nível de" é um modismo a ser evitado.

Dele ou de ele?
- Dele corresponde a um pronome possessivo:
"O problema dele é não ouvir os outros."
- Dele também pode ser a combinação da preposição de com o pronome pessoal oblíquo tônico
ele, na função de objeto indireto:
"Eu gosto muito dele."

- De ele é a preposição de e o pronome pessoal
reto ele. Só pode ser usado quando ele for sujeito de uma oração reduzida de infinitivo:
"Cheguei antes de ele sair" (= de que ele saísse).
"Apesar de ele ter confirmado, prefiro aguardar um pouco mais."
O segredo é o verbo no infinitivo.
Só podemos usar de ele quando houver o verbo no infinitivo:
"Está na hora de ele chegar."
Observação:
Essa regra não é rígida. Muitos autores aceitam a contração da preposição com o pronome como uma variante lingüística:
"Cheguei antes dele sair."
"Está na hora dele chegar."

Sem dúvida, é assim que a maioria dos brasileiros fala.
Em textos formais, no entanto, é preferível o uso da preposição separada do pronome.
Essa regra também se aplica em outros casos:
- preposição + artigo:
"Ocorreu horas depois de o candidato ter comemorado a vitória."
"Isso acontecerá na hipótese de os bancos reduzirem os juros."
- preposição + pronome demonstrativo:
"Assinou contrato, apesar de esses padrões não garantirem uma margem de segurança."

Dormir ao ou no volante?
"Dormir ao volante" é perigoso, mas com a preposição correta.
Pior é "dormir no volante". É tragédia na certa.

Ficar ao ou no sol?
"Ficar no sol" é um pouco difícil e ninguém agüentaria o calor!
O certo é que "nós ficamos ao sol",
assim como "ficamos ao vento, ao relento...".

Entrar de ou em férias?
Tanto faz. É um caso facultativo.
Você pode "entrar de férias ou em férias",
"ficar de férias ou em férias",
"sair de férias ou em férias".

Ficar de ou em pé?
Tanto faz. É outro caso facultativo.

Ganhar e perder de ou por?
Empatar em ou por?
O correto é ganhar, perder ou empatar por.
Um time vence o outro pelo placar de...
No caso de empatar, é aceitável a preposição em:
"Flamengo e Vasco empataram por ou em..."

Junto a ou junto de?
Tanto faz.
Junto a significa "perto de":
"O depósito fica junto à estrada" (ou "junto da estrada") .
''A mesa está junto à estante" (ou "junto da estante").
Observação:
É freqüente o uso de junto a substituindo as preposições com ou em:
"O problema só será resolvido junto à gerência";
"Conseguimos um empréstimo junto ao Banco Mundial".
É preferível: "O problema só será resolvido com a gerência";
"Conseguimos um empréstimo no Banco Mundial".

Para com ou por?
Devemos evitar: "Devemos ter respeito para com o adversário."
É preferível: "Devemos ter respeito pelo adversário."

Por entre e por sobre?
Devemos evitar: "Passou a bola por entre as pernas do zagueiro."
"Há muitas nuvens por sobre o autódromo."
Devemos usar: "Passou a bola entre as pernas do zagueiro. "
"Há muitas nuvens sobre o autódromo."
Devemos evitar: "Chutou a bola por sobre a trave."
Podemos usar: "Chutou a bola sobre a trave ou por cima da trave."


Omissão da preposição.
- Caso facultativo - antes da conjunção integrante que:
"Certifique-se que ou de que não existe uma causa psicossomática para o seu fracasso."
"Não há suspeitas que ou de que ele tenha cometido o crime."
- Preposição desnecessária:
"Nós éramos em seis." Basta: "Nós éramos seis."
"Estavam em quatro à mesa." Basta: "Estavam quatro à mesa."
"Ficamos em cinco na sala." Basta: "Ficamos cinco na sala."
''As vendas caíram em 50%." Basta: ''As vendas caíram 50%."
Outra situação em que a preposição é desnecessária:
''A previsão é de que haverá chuvas fortes em todo o estado."
Basta: ''A previsão é que haverá chuvas fortes em todo o estado."
 :
"Existe a previsão de que haverá chuvas fortes em todo o estado."
"Houve a tendência de que..."
"Comenta-se a possibilidade de que..."

Tem de ou tem quê?
Por ser um caso de preposição, deveríamos usar tem de.
Hoje em dia, porém, o uso de tem que está consagrado.
As duas formas são aceitáveis.
Podemos dizer que "Ele tem de resolver o problemá'
ou "Ele tem que resolver o problema”.
Em textos mais formais, a preferência é tem de.

Torcer para ou por?
O certo é "torcer por".
"Eu torço pelo Internacional."

TV a cores ou em cores?
O mais adequado é "TV em cores". Você já viu "TV a preto e branco"?
Se a TV é "em preto e branco", também deve ser "em cores".

A Primeira República

 

Do “entusiasmo pela educação” ao “otimismo pedagógico”.     

 Segundo o texto, a Primeira República (1889-1930), foi representada por dois movimentos desencadeados pelos intelectuais das classes dominantes do país.

Esses movimentos foram denominados: “entusiasmo pela educação”e “otimismo pedagógico”. Entusiasmo pela educação: tinha caráter quantitativo,ou seja, em última análise resumia-se na concepção de expansão da   rede escolar, e na tentativa de desanalfabetização das classes menos favorecidas, sem se preocupar com a qualidade do ensino. Já o otimismo pedagógico buscava a otimização do ensino, ou seja, na melhoria nas condições didáticas e pedagógicas da rede escolar. Os dois movimentos trabalhavam em muita das vezes separados e até mesmo contra o outro,tendo em visto que ambos tinham visão distintas em relação à educação.

Cronologicamente o entusiasmo pela educação veio primeiro do que o otimismo pedagógico, segundo o texto o  entusiasmo surgiu  no período de mudança do sistema Imperial para o Republicano, se intencificando principalmente entre 1887 e 1896, sofrendo umpequeno recuo entre 1896 e 1910, alcançando seus melhores dias nos anos 10 e 20.

Já o otimismo pedagógico ao contrário do entusiasmo,  surgiu em meado dos anos 20, e alcançou seu ápce já na Segunda República, nos anos 30.

A substância histórica do “entusiasmo pela educação” e do “otimismo pedagógico” associaram-se à um inicial surto de crescimento industrial e principalmente, uma urbanização significativa junto ao fim do regime escravista e consequentimente a adoção do trabalho assalariado, constituindo assim um conjunto de processos e situações que levavam o país rumo à modernização, além disso, havia também a expansão da lavoura cafeeira, a remodelação material do país (redes telegráficas, portuárias, ferroviárias etc.).

Os conflitos pedagógicos

 

Basicamente foram três as correntes pedagógicas que formaram ocenário das lutas político-pedagógico da Primeira República: a Pegagogia Tradicional, a Pedagogia Nova e a Pedagogia Libertária. Essas três vertentes distintas,podem ser vistas associadas a três diferentes setores sociais.

A pedagogia Tradicional estava ligada às aspirações dos pensadores ligados às oligarquias e à Igreja, já a Pedagogia Nova emerge do interior das classes médias,juntamente com a burguesia buscando a modernização do Estado e da sociedade no Brasil, por sua vez a Pedagogia Libertária ao contrário das anteriores não surgiu nas classes dominantes, vinculou-se aos intelectuais ligados ao projeto dos movimentos sociais populares, baseados nos desejos do movimento operário de linha anarquista e anarco-sindicalista,vale resaltar que toda as pedagogias que se organizaram na República tiveram que assimilar ou enfrentar os preceitos de uma herança pedagógica discidente da pedagogia constituída pelos Jesuítas.

A Pedagogia Tradicional brasileira muito deve aos princípios do jesuitismo,mais não é correto afirmar identidade entre Pedagogia Tradicional e Pedagogia Jesuítica, pois a Pedagogia Tradicional compôe-se na verdade,das teorias pedagógicas modernas americanas e alemãs, com substrato comum no herbartismo.

GHIRADELLI, Paulo Jr. História da Educação.São Paulo:cortez 2001.

 

RAIMUNDO,ESTUDANTE DO 3º PERÍODO DO CURSO DE PEDAGOGIA.

Pontuação
Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintática, têm as seguintes finalidades:
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a entoação) na leitura;
b) separar palavras, expressões e orações que, segundo o autor, devem merecer destaque;
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando ambigüidades.
Vírgula
A vírgula serve para marcar as separações breves de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as intercalações, quer na oração, quer no período.
A seguir, indicam-se alguns casos principais de emprego da vírgula:
a) para separar palavras ou orações paralelas justapostas, i. é, não ligadas por conjunção:
Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Relações Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
Simplicidade, clareza, objetividade, concisão são qualidades a serem observadas na redação.
b) as intercalações, por cortarem o que está sintaticamente ligado, devem ser colocadas entre vírgulas:
O processo, creio eu, deverá ir logo a julgamento.
A democracia, embora (ou mesmo) imperfeita, ainda é o melhor sistema de governo.
c) expressões corretivas, explicativas, escusativas, tais como isto é, ou melhor, quer dizer, data venia, ou seja, por exemplo, etc., devem ser colocadas entre vírgulas:
O político, a meu ver, deve sempre usar uma linguagem clara, ou seja, de fácil compreensão.
As Nações Unidas decidiram intervir no conflito, ou por outra, iniciaram as tratativas de paz.
d) Conjunções coordenativas intercaladas ou pospostas devem ser colocadas entre vírgula:
Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obtinha, contudo, resultados.
O ano foi difícil; não me queixo, porém.
Era mister, pois, levar o projeto às últimas conseqüências.
e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-restritivas (explicativas) devem ser separados por vírgula:
Brasileiros, é chegada a hora de buscar o entendimento.
Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da Lógica.
O homem, que é um ser mortal, deve sempre pensar no amanhã.
f) a vírgula também é empregada para indicar a elipse (ocultação) de verbo ou outro termo anterior:
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (A vírgula indica a elipse do verbo regulamenta.)
Às vezes procura assistência; outras, toma a iniciativa. (A vírgula indica a elipse da palavra vezes.)
g) nas datas, separam-se os topônimos:
São Paulo, 22 de março de 2004.
Brasília, 19 de junho de 2004.
É importante registrar que constitui erro crasso usar a vírgula entre termos que mantêm entre si estreita ligação sintática - p. ex., entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e seus complementos.
Errado: O Presidente da República, indicou, sua posição no assunto.
Certo: O Presidente da República indicou sua posição no assunto.
Nos casos de o sujeito ser muito extenso, admite-se, no entanto, que a vírgula o separe do predicado para conferir maior clareza ao período. Ex.:
Os Ministros de Estado escolhidos para comporem a Comissão e os Secretários de Governo encarregados de supervisionar o andamento das obras, devem comparecer à reunião do próximo dia 15.
O problema que nesses casos o político enfrenta, sugere que os procedimentos devem ser revistos.
Ponto-e-Vírgula
O ponto-e-vírgula, em princípio, separa estruturas coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer dizer. Ex.:
Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o governo despótico é o medo.
As leis, em qualquer caso, não podem ser infringidas; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser respeitadas.
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5o, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4o.
Dois-Pontos
Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir citações, marcar enunciados de diálogo e indicar um esclarecimento, um resumo ou uma conseqüência do que se afirmou. Ex.:
Como afirmou o Marquês de Maricá em suas Máximas: "Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer reformar."
Encerrado o discurso, o Ministro perguntou:
- Foi bom o pronunciamento?
- Sem dúvida: todos parecem ter gostado.
Mais que mudanças econômicas, a busca da modernidade impõe sobretudo profundas alterações dos costumes e das tradições da sociedade; em suma: uma transformação cultural.
Ponto-de-Interrogação
O ponto-de-interrogação, como se depreende de seu nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interrogativa direta:
Até quando aguardaremos uma solução para o caso?
Qual será o sucessor do Secretário?
Não cabe ponto-de-interrogação em estruturas interrogativas indiretas (em geral em títulos): O que é linguagem oficial - Por que a inflação não baixa - Como vencer a crise - Etc
Ponto-de-Exclamação
O ponto-de-exclamação é utilizado para indicar surpresa, espanto, admiração, súplica, etc. Seu uso na redação oficial fica geralmente restrito aos discursos e às peças de retórica:
Povo deste grande País!
Com nosso trabalho chegaremos lá!
Fonte: www.resenhas.com

O idioma pede socorro


A Academia Brasileira de Letras desfraldou recentemente uma nobre bandeira: a da defesa da língua portuguesa. A verdade é que ela está correndo sérios riscos, desde quando, nos currículos escolares, foram extintas disciplinas que enriqueciam a cultura dos nossos estudantes.
Assim, primeiro foi a vez do latim, que é a nossa origem e a nossa matriz. Depois, riscado o ensino do idioma francês. Agora, estão abolindo o ensino da Literatura. Já existem gramáticas, e até mesmo professores, que estão cortando a segunda pessoa do singular e do plural - o tu e o vós - na conjugação de alguns verbos.

A nossa língua já enfrentou muitos perigos. Antes, era a ameaça dos galicismos. Depois, a invasão americana, no embalo do cinema e, agora, da televisão e da internet. Em seguida, a avalancha da gíria vulgar e limitada.

Parece até que estamos diante de uma ofensiva orquestrada contra o idioma e a obra de Camões, Gil Vicente, Vieira, Bernardes, Herculano, Garret, Eça e Camilo.

Os países de língua portuguesa já totalizam um universo de 230 milhões de pessoas que falam o nosso idioma comum. Na Academia da Latinidade, portugueses, espanhóis, franceses e italianos têm evidenciado seu empenho em aliar-se aos brasileiros, na defesa comum dos idiomas neo-latinos, ante a invasão hegemônica dos anglo-saxões. Se alguém tiver alguma dúvida sobre este perigo, basta ir até a Barra da Tijuca, no Rio, que, com seus letreiros luminosos, supermercados e nomes de seus edifícios, já está sendo conhecida como a ''Miami brasileira''.

Basta relembrar também os erros cometidos na redação de textos para vestibulares universitários e concursos públicos, mostrando total desconhecimento do léxico e de gramática. Num recente concurso para juiz, realizado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, de 838 candidatos inscritos, apenas 55 foram aprovados. Dos 783 reprovados, muitos ficaram na prova da Português.

Não era por acaso que os vitoriosos conquistadores da Antigüidade levavam sempre, com suas tropas, o idioma que pretendiam colocar à disposição dos povos vencidos, como veículo de sua administração e cultura. A língua pátria é uma instituição relacionada à independência e à soberania. Até agora, ao longo de cinco séculos, nós, brasileiros temos conseguido resguardar a unidade do nosso país, falando o mesmo idioma do Acre ao Rio Grande do Sul, com pequenas variações de dialetos e de sotaques, graças à ação dos bandeirantes, dos jesuítas Anchieta e Nóbrega e das etnias que construíram esta nação.

Conforme já advertiram os acadêmicos Sérgio Paulo Rouanet e Eduardo Portella, devemos nos prevenir contra os exageros de um nacionalismo xenófobo. Mas, por outro lado, desde que, no dia 28 de janeiro de 1897, foi inscrita, no art. 1º. dos Estatutos da ABL, a cláusula pétrea de defesa da cultura da língua e da literatura nacionais, a Academia Brasileira de Letras assumiu uma responsabilidade muito grande na salvaguarda e na sobrevivência dessa língua. Ela é um patrimônio sagrado que recebemos, entre outros, de Ruy, Alencar, João Ribeiro, Machado, Humberto de Campos, Euclides, Nabuco, Bevilaqua, Laet, Alceu, Rosa, Laudelino, Barbosa Lima, Athayde, Houaiss, Callado e Aurélio - e que temos de transferir, enriquecido e forte, às futuras gerações.

Este movimento de alerta e advertência da ABL bem merece o apoio da universidade, da imprensa e da sociedade brasileiras, bem como da Academia de Ciências de Lisboa, para que esta bandeira não caia de suas mãos. Dos debates travados na ABL, restou um documento oficial apresentado ao Governo e ao Congresso brasileiros (talvez um dos raros documentos oficiais que a Academia já emitiu até agora, ao longo dos 108 anos de sua existência), no qual ficou bem definida a sua posição na defesa da língua e da literatura nacionais.

O vernáculo português aí está pedindo o nosso socorro e nós temos o histórico e estatutário dever de socorrê-lo. Antes que seja tarde demais.

Autor: Murilo Melo Filho - Jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras

Editorial
Cidadania

A cidadania não é apenas o direito de votar, cidadania consiste em uma prática de participação em todas as decisões onde o interesse de um povo (uma sociedade), esteja intimamente relacionados.
Cidadania é participação solidária, ninguém pode ser cidadão sozinho ou pra si mesmo, cidadania requer participação coletiva para chegar a um denominador comum.
Há uma grande diferença entre um mero cidadão eleitor que cumpre todas as normas de seu país ou de seu estado daquele que luta, reivindica e busca soluções para as questões que mais aflige sua comunidade, este segundo sim é um cidadão ativo pois tem iniciativa e toma decisões que nem sempre pode agradar a todos mais que possa ser colocada em discursão como forma de protesto e de personalidade.
É muito comum dizer no Brasil que todos os cidadãos são iguais perante a lei, mais nem sempre isto acontece, para si ter uma idéia baste ver as formas de abordagem quando acontece uma denuncia de irregularidade na casa de uma pessoa humilde, e a mesma denuncia na casa de uma pessoa rica, certamente nesta segunda a polícia pedirá licença ao proprietário da residência para adentrar já na primeira certamenta entrará arrombando a casa do cidadão sem sequer informar que está fazendo apenas uma ação de suposto caso ilícito, e sim para ele (policial), já há uma comprovação do delito.
As classes privilegiadas não temem aos cidadãos quando são vistos como um simples eleitor, pelo contrário até gostam destas pessoas, temem somente a cidadania democrática que é uma democracia ativa, onde todos podem discutir igualmente suas idéias.
Outro exemplo da falta de cidadania, será que é possível falar em cidadania quando milhões de brasileiros passam fome todos os dias? E que dezenas de milhares de pessoas morrem pela violência mantida pela desigualdade social que é um dos maiores crimes deste país e uma das maiores dívidas sociais que o o governo brasileiro tem para com seu povo.
Certamente são perguntas que todos nós, brasileiros, gostariam da resposta, mais que não vem sem uma luta de todos no sentido de buscar alternativas concretas para resolver estas questões, pois cidadania é isto, é participação de todos em busca da mesma. Cidadania, é dinâmica por isto está sempre em processo de aperfeiçoamento e isto acontece quando a sociedade participa destas mudanças, um exemplo disto são os instrumentos legais que vieram para resgatar através de leis os direitos dos cidadãos e preservando sua cidadania que ao longo do tempo foram impedidos de exerce-las.
Como já dizia o grande filósofo grego:

"É preciso que o melhor governo seja aquele que possua uma
constituição tal que todo cidadão possa ser virtuoso e viver feliz"
Aristóteles
.

Raimundo N Pereira
Acadêmico do curso de pedagogia 2º período.

São Luís Maranhão 2004.

O uso do porquê
Há quatro maneiras de se escrever o porquê: porquê, porque, por que e por quê. Vejamo-las:

01) Porquê:

É um substantivo, por isso somente poderá ser utilizado, quando for precedido de artigo (o, os), pronome adjetivo (meu(s), este(s), esse(s), aquele(s), quantos(s)...) ou numeral (um, dois, três, quatro)

Ex.

* Ninguém entende o porquê de tanta confusão.
* Este porquê é um substantivo.
* Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?
* Existem quatro porquês.

02) Por quê: Sempre que a palavra que estiver em final de frase, deverá receber acento, não importando qual seja o elemento que surja antes dela.

Ex.

* Ela não me ligou e nem disse por quê.
* Você está rindo de quê?
* Você veio aqui para quê?

03) Por que: Usa-se por que, quando houver a junção da preposição por com o pronome interrogativo que ou com o pronome relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode substituí- lo por por qual razão, pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais, por qual.

Ex.

* Por que não me disse a verdade? = por qual razão
* Gostaria de saber por que não me disse a verdade. = por qual razão
* As causas por que discuti com ele são particulares. = pelas quais
* Ester é a mulher por que vivo. = pela qual

04) Porque: É uma conjunção subordinativa causal ou conjunção subordinativa final ou conjunção coordenativa explicativa, portanto estará ligando duas orações, indicando causa, explicação ou finalidade. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois ou a fim de que.

Ex.

* Não saí de casa, porque estava doente. = já que
* É uma conjunção, porque liga duas orações. = pois
* Estudem, porque aprendam. = a fim de que

SUBSTANTIVOS CONCRETOS E ABSTRATOS

"Muita gente me pergunta o seguinte: calor, frio e vento são substantivos concretos ou abstratos? O que responder?"

Pensando bem, é pouco relevante, para quem quer apenas desenvolver uma boa redação, saber a diferença entre substantivos concretos e abstratos, razão pela qual pouco tenho me preocupado em trazer questões sobre tais assuntos para esta coluna. Mas como exercício intelectual é interessante. E faz parte do processo de ensino-aprendizagem da língua nacional na escola. Por isso tentarei dar uma resposta ao professor.

Certamente não foi ou não é fácil perceber a diferença entre eles, e portanto há divergência de entendimentos e de explicação nos livros de gramática. "A distinção entre concretos e abstratos é mais filosófica do que lingüística e, dentro da filosofia, muito fugidia" (Mattoso Câmara Jr.).

Pode-se afirmar que são concretos os substantivos que se referem a seres materiais ou espirituais, reais ou fictícios: casa, cor, dente, leão, Deus, saci-pererê, fada, alma, triângulo, o amigo, o diplomata, (o) japonês, (o) brasileiro etc.

São substantivos abstratos os atributos, estados, qualidades e ações, derivados de um conceito original. Eles não existem por si sós. Não possuem forma. Digamos que não podem ser desenhados, uma vez que não transmitem uma imagem. Assim, calor e frio são abstratos, gramaticalmente falando, embora nós os sintamos de modo concreto. São também abstratos todos os substantivos que exprimem sentimentos e emoções - qualidades da alma. Você pode desenhar um homem triste, uma mulher vaidosa, mas não a tristeza ou a vaidade, por exemplo.

Revendo: vento (ou ventania) é conceito original, não é atributo (e para uma criança tem uma certa forma - ela consegue desenhá-lo, sem dúvida). É, portanto, concreto. Já calor e frio (=frieza) são atributos, da mesma forma que amor, tristeza, alegria, saudade, brancura, consolo, maciez, pobreza e admiração, todos substantivos abstratos.

Quando os alunos já conhecem bem os conceitos de verbo, adjetivo e substantivo, sua forma e função, é possível mostrar-lhes que são ABSTRATOS os substantivos derivados de duas outras classes: do adjetivo e do verbo. Pode o professor apresentar exemplos e exercícios mais ou menos assim:

Estou sempre contente. [adjetivo] à Meu CONTENTAMENTO é enorme.

Mirtes fica aborrecida por pouco. [adjetivo] à Seu ABORRECIMENTO é deplorável.

O chefe se mostrou satisfeito conosco. [adjetivo] à A SATISFAÇÃO dele resultou em

aumento salarial.

Está um dia muito quente. [adjetivo] à O CALOR de hoje está insuportável.

Admiro seu trabalho. [verbo] à Minha ADMIRAÇÃO por seu trabalho é grande.

Quero felicitar você. [verbo] à Desejo-lhe FELICIDADES.

Vendeu apenas quatro livros. [verbo] à Foi fraca a VENDA dos livros.

Três pessoas caminharam até o alto da montanha. [verbo] à A CAMINHADA foi difícil.

Por outro lado, não se poderia formar verbos e adjetivos de substantivos como leão, casa, lápis, saci, ar, vento, não é mesmo? Então, é possível dizer que os substantivos que não dão nenhuma idéia de qualidade, atributo ou ação e que não são formados de nenhuma outra classe de palavras são substantivos concreto.

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