Estrutura sintática da frase

Frase, período, oração



Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para esta­belecer comunicação. Pode expressar um juízo, indicar uma ação, estado ou fenômeno, transmitir um apelo, uma ordem ou exteriorizar emoções. Seu arcabouço lingüístico encerra normal­mente um mínimo de dois termos - o sujeito e o predicado -, normalmente, mas não obrigatoriamente, pois, em português pelo menos, há, como se sabe orações ou frases sem sujeito: Há muito tempo que não chove (em que há e chove não têm sujeito).

Segundo JEAN COHEN (Structure du Langage Poétlque, Paris, Flammarion, 1966), a frase pode ser definida em dois níveis: o semântico e o fônico. ° nível semântico, único que nos interessa aqui, desdobra-se em dois planos: o psicológico e o gramatical. No primeiro, a frase é "a unidade que apresenta um sentido completo", Quanto ao segundo, o gramatical, ela é "o conjunto de palavras que estilo sinta­ticamente solidárias", A seguir, cita o Autor a definição de A. Martlnet: "um enunciado cujos elementos se prendem a um ou a vários predicados coordenados." (p. 73).



Oração, às vezes, é sinônimo de frase ou de período (simples) quando encerra um pensamento completo e vem limitada por ponto final, ponto de interrogação, de exclamação e, em certos casos, por reticências. O período que contém mais de uma oração é composto.

Um vulto cresce na escuridão. Clarissa se encolhe. É Vasco.

(E. VERÍSSIMO, Música ao Longe, p. 118)

Nesse trecho há três orações correspondentes a três períodos simples ou a três frases. Cada uma delas encerra um enunciado expresso num arcabouço lingüístico em que entra um sujeito (vulto, claro na primeira, mas oculto na última, e Clarissa) e um predicado (cresce, se encolhe, é Vasco).

Mas nem sempre oração é frase. Em "convém que te apres­ses" há duas orações mas uma só frase, pois somente o conjunto das duas é que traduz um pensamento completo; isoladas, constituem simples fragmentos de frase, pois uma é parte da outra: "que te apresses" é o sujeito de "convém".

Quanto à sua estrutura sintática, i. e., quanto à caracterís­tica da integridade gramatical explícita (existência de um sujeito e um predicado), a frase pode ser simples (uma só oração inde­pendente) ou complexa (várias unidades oracionais). Esse agru­pamento de orações é que merece legitimamente o nome de período (do grego periodos, circuito). É o ambitus verborum, segundo CÍCERO, isto é, o circuito de palavras encadeadas para formar um sentido completo. Entretanto, pela nomenclatura gramatical (brasileira ou não) vigente e tradicional, também a frase simples se diz período simples, e a complexa, período com­posto. Mas alguns professores distinguem o período composto, constituído só por orações coordenadas, do período complexo, formado por orações coordenadas e subordinadas.



Frases de situação

Do ponto de vista da integridade gramatical, a frase é, por­tanto, uma unidade do discurso em que entram sujeito e pre­dicado. Mas nem sempre é assim. Já vimos, de passagem, que há orações ou frases sem sujeito. Existem também as que não têm ou parecem não ter nem um nem outro desses termos.

Às vezes, no contexto da língua escrita - i.e., no "ambiente lingüístico onde se acha a frase" - ou na situação da língua falada - i.e., no "ambiente físico e social onde é enunciada" -, um desses termos ou ambos estão subentendidos. Uma adver­tência ou aviso (Fogo! Perigo de vida, Contramão), um anúncio (Leilão de obra de arte, Apartamentos à venda), uma ordem (Silêncio!), um juízo (Ladrão, i. e., Você é um ladrão), um apelo (Socorro!, Uma esmolinha pelo amor de Deus!), a indicação de um fenômeno (Chuva!, i. e., Está chovendo), um simples advér­bio ou locução adverbial (Sim, Não, Sem dúvida, Com licença), uma exclamação (Que bom!), uma interjeição (Psiu!) são ou podem ser considerados como frases, embora lhes falte a carac­terística material da integridade gramatical explícita. Só men­talmente integralizados, com o auxílio do contexto ou da situação, é que adquirem legítima feição de frase.

A esse tipo de frase chamam alguns autores "frase de situa­ção", (Conforme FRANCIS, W. Nelson. The Structure of American English. Nova Iorque, The Ronald Press Co., 1958, p. 374) e outros, "frases inarticuladas"( Conforme MAROUZEAU, J. Précis de Stylistique Française. Paris, Masson et Cie., Edlteurs,1946, p. 146. Conforme ainda SAID ALI. Meios de Expressão e Alterações Semânticas, Rio, Org. Slmões, 1951, pp. 48 e 68.), entre as quais se po­dem ainda incluir, além das acima indicadas, as saudações (Bom dia!), as despedidas (Até logo), as chamadas ou interpelações, isto é, vocativos desacompanhados (Joaquim!) e frag­mentos de perguntas ou respostas. No discurso direto (diálogo), se alguém nos diz "ele chegou", é provável que peçamos um esclarecimento sob a forma de um fragmento de pergunta representado por um simples pronome interrogativo - Quem? - em que se subentende "Quem chegou?" - ou um advérbio interrogativo - Quando?, i.e., "Quando chegou?" São frases de situação ou de contexto, insubsistentes por si mesmas, se desta­cadas do ambiente lingüístico ou físico e social em que são enunciadas.

Frases nominais

Há outro tipo de frase que também prescinde de verbo, constituída que é apenas por nomes (substantivo, adjetivo, pronome): Cada louco com sua mania, Cada macaco no seu galho, Dia de muito, véspera de nada.

Nessas frases, chamadas nominais - e também, mas indevidamente, elípticas - na realidade não existe verbo, o qual, entretanto, pode ser "menta­do": cada louco (tem, revela, age de acordo com) sua mania, cada macaco (deve ficar) no seu galho, dia de muito (é, sempre foi) véspera de nada. A frase, em si mesma, não é elíptica; o máximo que se poderia dizer é que o verbo talvez o seja.

Característica de muitos provérbios e máximas, comum na língua falada, ocorre com freqüência na língua escrita, em prosa ou em verso. É uma frase geralmente curta, incisiva, direta, que tanto indica de maneira breve, sumária, as peripécias de uma ação quanto aponta os elementos essenciais de um quadro descritivo, quer em prosa (trecho grifado) quer em verso:

EXEMPLO EM PROSA:

Dá dois passos e abre de leve um postigo. A luz salta para dentro. – Não disse? Não há mistério.

E o quarto de Vasco se revela aos olhos dela [Clarissa].

- Não disse? Não há mistério.

A cama de ferro, a colcha branca, o travesseiro com fronha de amorim. O lavatório esmaltado, a bacia e o jarro. Uma mesa de pau, uma cadeira de pau, o tinteiro niquelado, papéis, uma caneta. Quadros nas paredes.

(E. VERÍSSIMO, op. cit., p. 220)



EM VERSO:

Sangue coalhado, congelado, frio

Espalmado nas veias...

Pesadelo sinistro de algum rio

De sinistras sereias.

(CRUZ E SOUSA, "Tédio", Faróis)



Sobre o capim orvalhado e cheiroso...

Maciez das boninas,

espinho de rosetas,

cricris sutis nesse mundo imenso,

tão pequenino. . .

(AUGUSTO MEYER, "Sombra Verde", Poesia)



... E as minhas unhas polidas –

­Idéia de olhos pintados...

Meus sentidos maquilados

A tintas desconhecidas...

...........................................

Fitas de cor, vozearia ­-

Os automóveis repletos:

Seus chauffeurs - os meus afetos

Com librés de fantasia!

(MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO, "Sete Canções de Declínio", Poesias)



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